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Laboratório de Qualidade do Ar Interior capaz de pesquisar PCBs em produtos variados

11 novembro 2020

O Laboratório de Qualidade do Ar Interior do INEGI pode agora realizar análises para determinar a presença de bifenilos policlorados (PCBs), substâncias poluentes que podem surgir em produtos como tintas, polímeros, selantes ou outros produtos com pigmentos de cor.

Os bifenilos policlorados não são um composto específico, mas sim um grupo de compostos com mais de duzentas variações. Na indústria foram utilizados como fluídos de troca de calor, em transformadores e condensadores elétricos, e como aditivos em tintas e plásticos.

Estes compostos já não são produzidos industrialmente, mas podem ser formados involuntariamente durante a produção de pigmentos e outros produtos químicos. Razão pela qual, como explica a investigadora Gabriela Ventura, "uma vigilância ativa é extremamente importante”.

Os bifenilos policlorados são "poluentes orgânicos considerados cancerígenos e são conhecidos por serem desreguladores endócrinos, neurotóxicos e reprotóxicos, podendo provocar supressão imunológica, respostas inflamatórias e problemas dermatológicos”, explica Gabriela Ventura. A exposição pode acontecer por inalação, consumo de alimentos contaminados ou contacto da pele.

"Estas substâncias estão classificadas como poluentes orgânicos persistentes (POPs), e, depois de formadas, propagam-se através do vento, chuva e água, ou através de vetores animais, e podem percorrer distâncias consideráveis”, acrescenta a especialista.

Esta capacidade de propagação é de tal maneira excecional, que estes poluentes já foram detetados em regiões remotas onde nunca foram utilizados, como as ilhas oceânicas e a Antártica. Para além da sua persistência no ambiente, constituem um risco relevante devido à sua toxicidade para animais e pessoas e à sua propensão para se acumular nas cadeias alimentares.

Este perigo motivou a restrição da produção e transporte de bifenilos policlorados no âmbito do Programa Ambiental das Nações Unidas, através da Convenção de Estocolmo para os Poluentes Orgânicos Persistentes.